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Melchior, o mais melhor

28.06.2016

 

Hoje falarei de um livro muito interessante. Uma vez o vi na internet, mas não estava disponível para compra. Mas seu nome ficou na minha cabeça. Chama-se: Melchior, o mais melhor.

Não sei explicar, mas adorei esse título!

Depois de muito tempo, em uma viagem para Brasília, ao visitar a exposição do Mondrian e o movimento de STIJL no Centro Cultural Banco do Brasil (lugar que vale muito a pena conhecer), dei de cara com uma livraria muito charmosa chamada Dom Quixote.

Nessas horas, sempre me pergunto: as livrarias coincidentemente aparecem para os leitores compulsivos ou nós que acabamos encontrando-as em todos os lugares?

Sinceramente, não sei, mas acho que até no deserto sou capaz de localizar uma...

Bom, mas foi na Dom Quixote que finalmente me deparei com a história de Melchior.

O autor do livro é o Vik Muniz e as ilustrações, são de ninguém menos do que a Adriana Calcanhoto. Alguém sabia que além de todos os seus talentos, ela ainda ilustra livros?

Confesso que fui pega de surpresa. E das boas, porque as ilustrações são demais. Não poderia imaginar o Melchior de outro jeito.

E quanto a história .. é sobre um garoto que nunca é o melhor em nada.

Não era o menor da sua classe, e nem o maior.

Nunca era o primeiro a levantar a mão para responder as perguntas da professora, e quando era chamado, nem sempre acertava. Mas Maria do Carmo, sua colega de classe, além de levantar a mão na maioria das vezes, era muito rápida, e não errava uma única resposta.

Ele não era o último a ser escalado para o time de futebol, mas era o penúltimo. E quanto a fazer gols... Zecão era o rei dos gols. Já Melchior...

“Durante toda a sua vida, Melchior só fez dois gols. Um deles foi contra e o outro, completamente por acidente”.

Achei essa parte engraçada e trágica para um garoto, afinal, esse é o país do futebol, não é mesmo?

Na hora das festinhas, ele adorava dançar. Pulava, rodava e sapateava. Chegava a impressionar a turma e tudo ia bem, até a hora que o Mario Tanaka aparecia. Daí ele roubava toda a cena. Para Melchior, só restava comer bolo e brigadeiro.

No ping pong?

Não era tão ruim, mas não era o melhor. Então treinava bastante para um dia jogar com os melhores. O problema é que ninguém queria jogar com ele. E treinar sozinho era muito difícil.

Um dia, após jogar ping pong sozinho, ele ficou muito frustrado.

Teve um grande ataque de raiva.

 Deu um grito: POR QUE NÃO SOU O MELHOR? E em seguida, pisou com toda a força na bolinha de ping pong.

Diante disso, algo inexplicável aconteceu. Ao invés da bolinha ficar amassada, ela explodiu em uma nuvem de fumaça roxa, laranja e cheirando a pum fedorento.

Pum fedorento? Isso mesmo que vocês leram.

De dentro dessa nuvem toda, saiu um gênio engraçadíssimo, chamado Gênio da bolinha.

Melchior ainda questionou:

“E o gênio da lâmpada velha de querosene?

...aquele famosão, só aparece para gente famosa como Aladim. Eu, o Gênio da Bolinha, apareço para crianças como você, que não são nem famosas nem melhores em coisa alguma”.

Confesso que me identifiquei com esse garoto.. (risos).

Mesmo assim, Melchior tinha direito a um pedido. E adivinhem o que ele escolheu?

Ele queria ser o mais melhor em todas as coisas.

O gênio disse que o pedido seria irreversível, e mesmo assim o garoto insistiu.

Seu desejo se tornou realidade. O gênio ofereceu uma jujuba grudenta para Melchior comer e disse:

“- Coma esta jujuba e o mais melhor serás!”

Ele obedeceu. E quando acordou no dia seguinte, achou que tudo não passou de um sonho, no entanto, durante a aula, sentiu que algo havia mudado.

Quando a professora ia fazer as perguntas ele antecipadamente já sabia todas as respostas. Acertou tudo e ao final de cada resposta, dava gargalhadas e mostrava a língua para classe. Fez tanto isso, que sua amiga Maria do Carmo caiu no choro. A professora ficou irritada e o mandou para o recreio mais cedo.

Na hora do futebol, o mesmo aconteceu. Melchior driblava todo mundo e fazia tantos gols, que ninguém mais tocou na bola. Em razão disso acabou jogando sozinho no meio da quadra.

Nesse dia, teve a festinha de aniversário do Mario Tanaka. Claro que Melchior arrasou na pista de dança. O problema é que ele ocupou a pista toda. Ninguém mais dançava. E quando o aniversariante tentou, tomou um pontapé tão grande do Melchior que foi parar em cima da mesa de salgadinhos.

Foi uma grande confusão, e Melchior foi embora mais cedo da festa.

Sinceramente, ele nem se importou. Correu para jogar ping pong com as crianças de seu prédio. É claro que arrasou com todas elas.

Ele caçoava de todas que perdiam. E no final, ainda acertou uma bola no olho do Zenóbio, que foi embora chorando enquanto Melchior ria sem parar.

Ele riu até não poder mais. Dava tanta risada que era possível ouvi-la por todo o salão. Até que ele parou. O silêncio voltou. E estava sozinho outra vez.

Mesmo sendo o melhor, não podia jogar sozinho. Ficou bravo e deu outro pisão na bolinha de ping pong.

Aquela mesma nuvem esquisita apareceu e de dentro dela saiu o gênio novamente.

Melchior disse que queria voltar a ser como antes. O gênio disse que o pedido era irreversível.

Foi aí, que o garoto teve uma ideia. Pediu para o gênio jogar uma partida de ping pong com ele.

Ele arquitetou um plano para deixar o gênio ganhar e ser o mais melhor.

O plano funcionou. Melchior deixou de ser o mais melhor, e percebeu que o mais importante era ser feliz e brincar com seus amigos.

Adorei a história. Vale muito a pena, ainda mais nos dias de hoje em que há tanta cobrança e competitividade.

O livro tem 28 páginas bem ilustradas e é da editora Cobogó.

Espero que gostem.

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